Katukina-Jutai — Tsohom-dyapa

David J. Phillips

Autodenominação: Tsohom-dyapa pode ser traduzido como “povo-tucano” e é uma auto designação típica dos subgrupos kanamari. -dyapa significa um grupo de famílias extensas. Porém não se sabe como o povo se refere, e talvez se reconhecer apenas como tukuna, “gente” (Costa 2010).

Outros Nomes: Pindá Djadá (DAI/AMTB 2010), provavelmente um nome dos Katukina do rio Biá. Tyohon dyapa, Txunhuân djapá, Tukúm Djapá. São chamados ‘tucano’ pelos Kanamari e os regionais (Costa 2010).

População: 600 (DAI/AMTB 2010). Estimada em 100 em 1981.  590 (2008 FUNASA).

Localização: Os Tsohom-dyapavivem na região entre os rios Jutaí e Jandiatuba na Terra Indígena Vale do Javari, AM, de 8.544.480 ha homologada e registrada no CRI e SPU, com uma população de 3.759 de 13 povos.

Língua: Katukina, da família linguística katukina com Katawixi (SIL). A língua é aparecida com Kanamari e a dos Katikina do rio Biá (Costa 2010).

História: Os Katukina (Tsohom-dyapa) migaram para região do interflúvio de terra firme entre os Juruá e Jandiatuba no início do século XX. Na década 20 houve uma separação, um grupo sobe a liderança do filho do cacique Txiwi mudaram se para as cabeceira do Igarape Dávi e o outro sob a liderança de Aro e Iakuna mudaram-se para a área entre os rios Jutaí e Curuena. Nas décadas 50 e 60 os Tsohom-dyasa tiveram contato com seringueiros e madeireiros por alguns anos. Nos anos 70 o grupo teve contato com outros não indígena pedindo sal e ferramenta de aço em troca de carne de caça. Os contatos eram amistosos mas quando um chefe morreu de gripe retiraram-se para o igarapé Dávi. Não é possível saber até que ponto a cisão poderia ter uma reconciliação destas duas facções.

Os Tsohom-dyapa afastaram dos rios Curuena e Jandiatuba daqueles do Igarapé Branco e dos Kanamari do Jutaí, porque nos anos 80 a Companhia Brasileira de Geologia (CBG) e da LASA Engenharia e Prospecções S.A., que se instalou na região a procura de petróleo. Realizaram constantes sobrevôos de helicópteros e incursões às áreas dos Tsohom-dyapa, que fez com que estes se afastassem ainda mais de suas áreas tradicionais de caça e coleta (Costa 2010).

Três seringueiros foram mortos, e o patrão deles contratou quatro ribeirinhos e um Kanamari que mataram 120 indígenas. Depois esse Kanamari foi morto por índios identificados com ‘Tucanos’. O relatório de Coutinho Junior (1998) conta que a população do grupo no Igarapé Dávi era de 10 famílias com 32 pessoas em 1979. O padre encontrou o grupo que não usava espingarda e viajava para conhecer os vizinhos. Houve conflitos violentos com outras etnias (Costa 2010).

Estilo da Vida: Os Katukina-Jutai vivem no leste da Terra Indígena entre os rios Jutai e Jandiatuba e entorno das cabeceiras do rio Curuena. As sua malocas eram construídas nas margens dos pequenos igarapés, mas viviam se deslocando de uma maneira nômade. Ao lado da maloca ou em viagem constroem tapiris de dois paus fincados no chão com um emborcado para suportar o cumeeira e a cobertura é feita de folhas de palheiros, jarina, etc.

‘Em 1998, os Kanamari fez contato com um grupo que falam um dialeto da língua chamada Tsohon-Djapa, também chamado Tshom-Djapa. O Tsohon-Djapa se instalaram perto da Kanamari e trabalhar para eles, muito da mesma forma como o Kanamari já trabalhou para os comerciantes de borracha. Os Tsohon-Djapa são pagos em roupas, sal e outros bens comerciais. Eles perderam muito de seu estilo de vida tradicional, devido ao seu contato com os Kanamari. Alguns também morreram de doença introduzida por este contato. Não há nenhuma outra informação sobre este grupo’ (Anonby e Holbrook 2010.5).

Sociedade: Os sub-grupos são grupos de famílias extensas que moram juntas. Os Kanamari considera o povo como relacionado com eles, mas não sabemos se os Tsohom-dyapa se identificam com esse nome. São considerados ‘isolados’ pela FUNAI por não mantêm contato regular.

Artesanato:

Religião: Nada é conhecido sobre o assunto.

Cosmovisão:

Comentário:

Bibliografia:

ANONBY, Stan e HOLBROOK, David J., 2010, ‘A Survey of the Languages of The Javari River Valley, Brazil’, SIL Electronic Survey Report 2010-003, March 2010, Dallas, Tex: SIL International.

COSTA, Luiz, 2010, ‘Tsohom-dyapa’, Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. pib.socioambiental.org/pt/povo/tsohom-dyapa.

DAI/AMTB 2010, ‘Relatório 2010 – Etnias Indígenas do Brasil’, Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos –instituto.antropos.com.br.

SIL 2013, Lewis, M. Paul, Gary F. Simons, and Charles D. Fennig (eds.). 2013. Ethnologue: Languages of the World, Seventeenth edition. Dallas, Texas: SIL International. Online version: www.ethnologue.com.