Tapayuna – Kajkwakratxi

David J Phillips

Autodenominação: Kajkwakratxi que significa ‘trono do céu’ que vivia no leste, aonde o sol nasce.

Outros Nomes: O nome Tapayuna foi dado por viajantes no século XIX.

População: 63 (DAI/AMTB 2010); 160 (Ropkrãse Suiá e Teptanti Suiá, 2010).

Localização: Em três Terras Indígenas:

  • Parque Indígena Xingu, homologada e registrada com 2.642.004 ha em Mato Grosso, vivem entre onze outras etnias.
  • T I Capoto/Jarina no sudeste do Pará, ao noroeste da cidade de São José do Xingu, homologas e registrada com 634.915 ha com Kayapó, população total de 1.388 (FUNAI 2010).
  • T I Wawi em Mato Grosso, homologada e registrada com 150.328 ha com Kïsêdjê, população total 375 (Unifesp).

Língua: Português (DAI/AMTB 2010). A língua Tapajúna é da família linguística Jê. É quase idêntica à língua dos Kïsêdjê (Suyá Orientais). O uso da língua e a cultura são enfraquecidas por residir entre os Kayapó e Kïsêdjê, e por casamentos interétnicos. Havia 40 falantes em 2008 e 97 em 2010 na T. I. Capoto-Jarina (PIB 2011). Diversos linguistas e missionários têm estudado a língua. A língua é conhecida como Kisêdjê, 330 falantes de Sya, o dialeta maior, outros dialetos : Beiço de Pau (Tapayúna) e Yaruma (Jarumá, Waiku) que é extinto (SIL).

História:
Os Tapayuna e os Kïsêdjê viviam como um só povo no norte do antigo Goias (atualmente Tocantins) ou no Maranhão e mudaram para o oeste. Os Kïsêdjê passaram pelos formadores do Xingu e ficaram no rio Suyá Missu. Os Tapayuna dosKajkwakratxi permaneceram nas afluentes da margem esquerda nas cabeceiras do Rio Arinos, afluente na margem direita do Rio Juruena, perto ao município atual de Diamantino, Mato Grosso. Eram reconhecidos de ser uma tribo feroz que urram como feras durante os ataques. Os guerreiros andava com um disco de madeira no lábio inferior e eram chamados de Beiço de Pau (PIB 2011). Os Kajkwakratxi atacaram o Posto Telegráfico de Parecis da linha estabelecida por Rondon, em 1931. Um trecho da linha telegráfica foi operada por índios Parecis, treinados por Rondon, e temiam os ataques dos Tapayuna (Hemming 2003.48). Atacaram de novo a linha em 1936 e 1937. Uma missão protestante estabeleceu um posto perto do Posto Telegráfico Juruena em 1933, mas os Tapayuna ficaram insatisfeitos com os presentes oferecidos.

Nestes anos o antropólogo Levi Straus vivia com vinte Tapayuna perto do Posto Utiarity, Mato Grosso, que foi uma experiencia formativa para sua carreira de antropólogo. Os indígenas vivia de uma maneira destituía em comparação com os outros índios ele conhecia. Dormiam no chão sem redes. Durante o tempo da seca viviam em tapiris muito simples e caçavam animais pequenos ou insetos. Na época das chuvas permaneciam ao lado de um rio e cultivava mandioca, milho, feijão e amendoim em uma roça. Levi Strauss chegou admirar estes Tapayuna e os descreveu no seu livro Tristes Tropiques. Em 1948 somente 18 deste grupo sobreviveram, vivendo dos bens que demandaram dos missionários (Hemming 2003.50).

Com o avanço do seringueiros no anos 40 do século XX houve muitos conflitos. Em 1951 a barracão de borracha ‘Boa Esperança’ foi construída na confluência do rio Alegre com o Arinos, que os Kajkwakratxi queimaram. Os primeiros fazendeiros desceram o Rio Arinos em 1955 e a Empresa Conamali vendeu parcelas de terra que eram claramente do terreno indígena. Um Jesuíta chamado Iasi foi atacado, mas depois conseguiu produzir o primeiro vocabulário da sua língua (Hemming 2003.169). Em 1964 o padre Adalberto Pereira tentou contato com os Kajkwakratxi, mas a construção de uma estrada ligando uma fazenda a BR-29 provocou um batalha em que índios foram mortos e quatro brancos feridos. O padre tentou ser mediador e a ‘pacificação’. Em 1967 foi estimado pelo Padre Lunkes que 700 viviam na região, mas um mapeamento aéreo pela FUNAI estimou mais que mil em onze malocas grandes. Porém uma pesquisa genealógica pelo antropólogo Anthony Seeger em 1974 estimou 400. Durante os anos havia diversas tentativas de eliminar os Kajkwakratxi por veneno. No anos 70 foram oferecido carne de anta venenada por madeireiros e garimpeiros (PIB 2011).

A FUNAI finalmente teve contato em 1969, mas infelizmente levaram com eles um jornalista que teve a influenza e dos duzentos índios apenas quarenta sobreviveram. Mais dois Tapayuna, levados ao Rio e a São Paulo para participarem em uma programa de televisão também morreram. Os sobreviventes foram transferidos ao Parque Indígena do Xingu em 1969 (Hemming 2003.169). Mais dez morreram durante a transferência e os trinta viviam primeiramente na aldeia Kïsêdjê ou Suyá e com estes construíram uma aldeia típica Jê com as casa em um círculo e o pato de cerimonias e casa dos homens no meio. Os dois comunidades acharam muitos tradições em comum, porém os Kïsêdjê ainda consideram os Tapayuna ‘incivilizados’. Então a maioria mudaram-se para a T I Capoto-Jarina. (PIB 2011).

Em 1967 o Relatório Figueiredo, pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia, indicou corrupção sistêmica no SPI e em sete paginas documentou a escravidão dos índios, massacras, torturas e guerra biológica, includindo os Tapuyana foram venenado com arsênico e inseticida (Watson 2000.17).

Os Tapayuna anularam por suas terras no Rio Arinos, perdidas para sempre aos fazendeiros, etc. O Parque deu estabilidade e a oportunidade de crescer em população e bem estar (Hemming 2003.643). A língua é ainda falada pelo mais velhos. No princípio os jovens não queriam estudar sua língua ou assistir a escola que ensinou Português e Mabengôkrê Kayapó, mas desde 1997 linguistas têm integrado um curso na escola de Tupayana. Em 2010 um grupo de 45 jovens e crianças estavam estudando a língua (PIB 2011).

Estilo da Vida: Em 1988 depois da morte de seu pajé mudaram-se da aldeia Kïsêdjê para uma aldeia desocupada, já com casas construídas e roças brocadas na região do Rio Jarina no território dos Mabengôkrê Kayapó. Depois se mudaram de novo para a aldeia Metyktire dos Mbengôkrê, em três casas atrás da casa do líder da aldeia. Nesta situação ficaram amedrontados de praticar suas festas e danças, e passaram a participarem das praticas dos Mbengôkrê até 2009. Aleijavam desde de 2003 de construir uma aldeia própria e afinal o fizeram na margem esquerda do Rio Xingu, chamada Kawêrêtxikô na T I Capato-Jarina (PIB 2011).

Sociedade: Os Tapayuna são monogâmicos e uxorilocal, mas vários têm casados com Kayapó Mebengôkrê. Por isso os filhos falam mais a língua materna, Mebengôkre exceto.

Artesanato:

Religião: 20% são Cristão, não Evangélico (www.joshuaprojet.net)

Cosmovisão:

Comentário: Porções da Bíblia 2007 (SIL). Nào há filme Jesus ou gravações de Global Recordings.

Bibliografia:

  • DAI/AMTB 2010, ‘Relatório 2010 – Etnias Indígenas do Brasil’, Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos instituto.antropos.com.br
  • HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan.
  • PIB, Equipe de edição da Enciclopédia, 2011, ‘Tapayuna’, Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. pib.socioambiental.org/pt/povo/tapayuna.
  • SIL 2013, Lewis, M Paul, & Gary F Simons & Charles D Fennig (eds), 2013. Ethnologue: Languages of the World, 17th edition. Dallas, Texas: SIL International. Online version: www.ethnologue.com
  • WATSON, Fiona, et al, 2000, Disinheirted: Indians in Brazil, London: Survival International.