Tupinikim

David J. Phillips

Autodenominação: Tupinikim, grafada de diferentes maneiras: Topinaquis, Tupinaquins, Tupinanquins, Tupiniquins, e significa ‘Tupi de lado’ ou ‘vizinho lateral’ (Freire 1998).

Outros Nomes: Tupinaki, Tupiniquim,

População: 1.920 (DAI/AMTB 2010)

Localização: Bahia, Espírito Santo, em três Terras Indígenas no município de Aracruz:

T. I. Comboios, ES, um trecho de un 22 km. do litoral de 3.872 ha, homologada,

com 534 Tupiniquim (FUNASA 2010).

T. I. Tupiniquim, ES, de 14.282 km, entre o rio Piraquê Açu no sul e a rodovia ES-257 ao norte, 8 km da cidade de Aracruz, homologada em 2010, com 2.464 Guarani Mbya, Guarani Ñandeva e Tupinikim (FUNASA 2010).

T. I. Caieiras Velhas I e II, ES, no Município de Aracruz contigue na T. I. Tupiniquim, na margem esquerda do rio Córrego Caieiras Velhas, homologada em 2004.

Língua: Português. Antigamente falavam Tupi litorânea, da família Tupi Guarani (Freire 1998).

História: No começo da colonização os Tupinikim viviam uma faixa do litoral de 600 quilômetros, entre Camamu, na Bahia e rio São Mateus no norte do atual estado do Espírito Santo. Alguns viviam mais ao sul na região do rio Piraquê-Açu na Aldeia Nova fundada em 1556 pelo jesuíta Afonso Brás. Depois um ataque de formigas nas plantações e de varíola os índios se mudaram para a aldeia Reis Magos ou Nova Aldeia que contava com 3.000 indígenas. Os jesuítas conseguiram um território de seis léguas em quadro (talvez a légua aqui é de 6 quilômetros), mas a área foi diminuída depois. D. Pedro II visitou a região e ratificou a terra.

Os jesuítas dirigiam uma missão em Reritiba (Benevento). Depois os Tupinikim eram dados 130.000 ha de terra quando os padres eram expulsos. Porém no século XVIII os governadores deram porções aos seus amigos e quando o Saint-Hilare visitou em 1817 quase toda terra estava ocupada por não indígenas. Os sobreviventes dos índios trabalharam pelos colonos, construindo uma estrada (Hemming 1987.102).

Em 1910 o SPI atuou no norte do Espírito Santo. Os Tupinikim moravam antigamente em lugares chamados Amarelo, Olho d’Água, Guaxindiba, Porto da Lancha, Cantagalo, Araribá, Braço Morto, Areal, Sauê (ou Tombador), sertão e litoral do Gimuhúna, Piranema, Potiri, Sahy Pequeno, Batinga, Santa Joana e Córrego do Morcego. Estes lugares eram perdidos.

Na década 40 os índios começaram a trabalhar para Companhia Ferro e Aço de Vitória, na derrubada para produzir carvão vegetal. A área da derrubada era transformada em pastos na região da aldeia de pau-Brasil. Os índios começou a viver com os posseiros, sem conflitos. O resultado é que os território indígena era cercado e reduzido, que impediu a rotatividade das roças. Na década 60 veio a Empresa Aracruz Florestal com a expulsão dos índios e os posseiros. Foram destruídas antigas aldeias Tupiniquim como Araribá, Amarelo, Areal, Batinga, Braço Morto, Cantagalo, Guaxindiba, Lancha, Macaco, Olho d’Água e Piranema (Freire 1998).

No princípio da década 60 uma comunidade de Guarani Mbya e Guarani Ñandeva chegaram do sul dos país, onde eram despojados do seu território. Juntaram se com os Tupinikim em Caieiras Velhas. Em 1970 existiam quarenta aldeias de Tupinikim in Aracruz. Os Tupinikim viviam espalhados na floresta mas as roças pertenciam à comunidade.

As terras indígenas eram invadidas desde 1972 pela empresa Aracruz Celulose, que é o maior produtor no mundo de celulose tirado das plantações de eucaliptos. A empresa tomou 40.440 ha ou 41% da terra em Aracruz, deixando apenas 40.5 ha para os Tupinikim. Os indígenas receberam pouco prazo para mudar-se. A monocultura em redor matou animais e planta e deixou ácido no solo, até a vida indígena era inviável. Os Tupinikim e os Guarani começaram a demarcar suas terras por si mesmos. As autoridades tentaram impedir o trabalho, subjeitando à entrevistas prolongadas as pessoas que apoiaram os índios. Um missionário da CIMI foi expulso do país. A Noruega tinha um dos maiores investimentos na empresa, então em 1997 José Luiz Francisco Ramos, representante dosTupinkim e Maurício da Silva Gonçalves, representante dos Guarani foram à Noruega para pedir uma audiência com o rei da Noruega. Em 2010, depois de décadas lutando para recuperar o território ocupado pela ex-Aracruz Celulose (agora Fibria Celulose SA), os índios Tupinkim e Guarani podiam comemorar. O decreto de homologação de parte das terras que lhes pertencem no município de Aracruz, norte do Estado, foi assinado pelo presidente Lula e publicado no Diário da União 1983 (Freire 1998).

Estilo da Vida: As T. I. Tupiniquim e Caieiras Velhas II é composta por capoeiras, macegas, mata atlântica e o manque do rio Piraquê-Açu. A T. I. Comboios é composta de quase toda a sua área pela capoeira e com solo pobre e arenoso. Por isso o cultivo é minimo. As aldeias são Caieiras Velhas, Boa Esperança, Caieiras Velhas, Comboios, Irajá, Pau Brasil, e Três Palmeiras.

As roças eram da comunidade mas por costume certas áreas eram identificadas com certas famílias. Pescavam no rio Piraquê-Açu com linha e armadilhas. Comerciaram cal, mariscos, farinha, lenha e artesanato em Santa Cruz.

Em 2009 a Funai investiu na ampliação do sistema de abastecimento de água das aldeias e 234 banheiros.

Sociedade: Os avós de hoje conheciam a língua própria mas deixaram de ensiná-la aos filhos. Desde a luta para o reconhecimento das terras os Tupinikim têm um Cacique e o Conselho Comunitário de representantes dos Guarani e dos Tupinikim, que tratam questões de desmatamentos, a pobreza do solo, plantios, etc. (Freire 1998).

Artesanato: Fabricavam balaios cestos colheres de pau, esteiras, gamelas, peneiras remos.

Religião: As festas observadas são de São Benedito, Santa Catarina, São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição. Nesta ocasiões os Tupinikim praticam a dança do tambor, mas hoje em dia somente na aldeia de Caieira velhas.

Cosmovisão:

Comentário:

Bibliografia:

  • DAI/AMTB 2010, ‘Relatório 2010 – Etnias Indígenas do Brasil’, Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos –instituto.antropos.com.br.
  • FREIRE, Carlos Augusto da Rocha, 1998, ‘Tupiniquim’, Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. pib.socioambiental.org/pt/povo/tupiniquim.
  • HEMMING, John, 1987, Amazon Frontier-The Defeat of the Brazilian Indians, London: Pan Macmillan.
  • HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan.